Sorte minha
ter participado ao lado deste gênio escultor (com várias obras espalhadas pelo mundo), a convite de Emanoel Araújo em exposições que marcaram a história do Brasil. Saudades dele também, do Emanoel, do baiano arretado, natural de Santo Amaro da Purificação, que foi aprendiz de marceneiro e talhador. Aos 13 anos trabalhou na Imprensa Oficial da sua cidade (na área de composição gráfica). Mudou-se para Salvador, cursou a Escola de Belas-Artes da Universidade Federal da Bahia, realizou sua primeira exposição individual aos 20 anos de idade, tem obras figurando nos principais museus brasileiros, coleções particulares (eu tive a chance de conhecer sua coleção no apê da Praça da República, um luxo), e edifícios públicos. Realizou exposições individuais e coletivas em vários estados brasileiros e em algumas partes do mundo. Mais de 45 anos de carreira, milhares de premiações: Prêmio Odorico Tavares (Bahia/1970), Medalha de Ouro da III Bienal Gráfica de Florença (Itália/1972) e dois prêmios por linguagens distintas (gravura e escultura); melhor gravador do ano (1974); melhor escultor do ano (1983), ambos concedidos pela Associação de Críticos de Arte de São Paulo. Nos anos de 1988 e 1989 atuou, a convite, como "Distinguished CUNY Visiting Professor of Art – Of the City College of the City University of New York” em Nova York (EUA). Dirigiu o Museu de Arte da Bahia (1981-1983); a Pinacoteca do Estado de São Paulo (1992- 2002) e, atualmente, dirige o Museu Afro Brasil. Foi Secretário Municipal de Cultura de São Paulo (2004); curador de mostras como O Universo Mágico do Barroco (1998), Negro de Corpo e Alma,(onde me convidou e assino embaixo que foi minha grande escola); Carta de Caminha e Arte Popular (2000), Negras Memórias, Memórias de Negros (2001 - tive a chance e sorte de também participar com montagem de altares), O Imaginário de José de Guimarães (2005), Odorico Tavares: A Minha Casa Baiana – Sonhos e Desejos de Um Colecionador (2006) e Museu da Solidariedade –Salvador Allende (2007).Ufa, mas a minha proposta não era escrever sobre Emanoel; com ele é assim mesmo, você começa a falar dele e não para mais. Me lembro o dia em que fui me encontrar com o gênio, no Ibirapuera, e logo me alertaram: cuidado, o homem é fera, joga tudo na cara, etc., etc.. Fiquei aguardando as agressões, afinal era minha primeira oportunidade de montar altares e de cara, foram 36 deles. Muito pelo contrário, o que vi foi um sábio na sua área, de uma ternura comigo todo tempo, me ensinou muito sobre altares e me deu ainda a chance de ter o nome gravado em vários livros da Pinacoteca e, em cartilhas do Museu Afro; e tantas outras oportunidades a mais. Viajamos juntos para o Rio para a exposição no Museu França-Brasil, depois fomos para São Luiz do Maranhão no Convento das Mercês. E ele nunca mudou. Transparente, cheio de idéias, me ajudando todo tempo; claro que sinto saudades dele.
É preciso dizer mais? Adoro ele mas só posso ir até lá em sonho porque até de helicóptero corro riscos. Que tristeza ver este Rio que já amei tanto nesse estado. E ainda tem gente que publicamente garante que o Rio de janeiro continua lindo e calmo...... Só apelando para o Cristo Redentor; mas nem lá temos segurança porque os assaltos acontecem em massa.


































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